CIDADANIA    VERSUS    HIPOCRISIA


                Todos nós gritamos por Cidadania mais nem sempre queremos nos comprometer pra valer na sua edificação ou até mesmo  permanecemos na sonolência da ignorância; medos, preguiças, manutenção de situações cômodas  nos levam  a assumir a condição de Hipócritas, pois  gritamos por um ideal  e  nos exercícios práticos vivenciais fazemos tudo ao contrário. O primeiro avanço na  experiência de Cidadania é fazer coincidir  o discurso com a prática. Se no discurso tudo é fácil no exercício prático da Cidadania tudo se torna mais  laboroso e requer a superação de  dificuldades que vão se alargando na medida em que a caminhada avança.                        A primeira dificuldade  a ser superada é  a falta de reta compreensão  das realidades que nos cercam: culturais, sociológicas, econômicas e teológicas; no número 18 das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no  Brasil ( Doc. 94 da CNBB) nós lemos: ¨Sabemos, porém, que nem sempre é fácil compreender a realidade. Ela é sempre mais complexa do que podemos imaginar. Nela existem luzes e sombras, alegrias e preocupações. Daí a contínua atitude de diálogo, de evangélica visão crítica, na busca de elementos comuns que permitam, em meio à diversidade de compreensões, estabelecer fundamentos para a ação.¨  Essa complexidade se acentua ainda mais neste  tempo de Mudança de Época.

                     Essa reta compreensão da realidade com certeza exigirá de nós uma oração sempre comunitária e atual, mesmo quando rezamos sozinhos no silêncio, momento propício para se ouvir os gritos daqueles que não tem voz e nem vez na Sociedade, que abafa os Valores do Reino de Deus. Exigirá de nós, que buscamos fidelidade ao Reino, a fazer a ligação correta entre a Palavra de Deus  e os acontecimentos do cotidiano, que nos atinge principalmente pelos órgãos de Comunicação Social; daí a necessidade de não se esquivar da leitura dos Jornais, revista e assistir os noticiários televisivos, mantendo sempre a consciência de se tratarem de  veículos sempre ideológicos. Esse contato com os noticiários vão nos ajudando a formar uma visão crítica dos Acontecimentos e dos Sujeitos Políticos que atuam na gerência das coisas públicas, e assim, vamos nos preparando para o momento Significativo do Voto e criando em nós as condições necessárias para tomadas de decisões frente a situações polêmicas, envolvendo  os temas que brotam do convívio social, principalmente no contexto da Bioética.  É  bom  lembrar que em vista da condição que ocupamos, querendo  ou não, seremos sempre Formadores de Opinião.  É lamentável que grande parte do Povo Brasileiro não tenha condições de se manterem em contato com os meios de Comunicação Social no seu todo e de forma integral,  com certeza essa é uma das condições  que fomentam  os desastres nos momentos ¨eletivos democráticos¨.
                A segunda dificuldade a ser superada é a fuga para ¨não se colocar a mão na massa¨, isto é, transferimos a nossa responsabilidade frente a Cidadania para uma outra pessoa ou para um momento útópico; é uma hipocrisia  olharmos a Cidadania com encantamento, porém não nos comprometermos em ir para as ruas e participar com ações efetivas nos acontecimentos vivenciais da Nação, “O povo não é uma multidão amorfa, uma massa inerte a ser manipulada e instrumentalizada... Isso significa ampliar o conjunto de sujeitos políticos, com vez e voz, no processo de construção da sociedade e do Estado que estabeleça a sociedade organizada..” (doc. 91 da CNBB n 36 e37). Essa hipocrisia, com certeza, tem criado sérios empecilhos na superação dos problemas sociais brasileiros, destaco aqui a corrupção generalizada, um câncer ser extirpado o mais rápido possível, se não todos perecemos; não podemos continuar coniventes com estes “assaltos aos cofres públicos”, subtraindo a dignidade de milhões  de pessoas. Se Jesus de Nazaré anunciou a Boa Nova da partilha generosa, na certa, não aprovará jamais a atitude daqueles que furtam os bens destinados à Partilha entre todos, obstaculizando a organização da Sociedade que   tem por  Fim Último garantir a  dignidade de todos, (cf Mt  15, 29 – 39).
                Termino este artigo reconhecendo a minha hipocrisia quando ao ser vítima da falta de Cidadania em Nossa Pátria Amada,   procuro “um bode expiatório” para carregar as minhas culpas, me inocentando da falta de responsabilidade do compromisso com os anseios de tantos irmãos e irmãs, que até mesmo derramaram o seu sangue  na luta por uma Pátria melhor para todos. Superemos as hipocrisias e construamos uma Cidadania sempre mais forte num grito da verdadeira independência. Salve! Salve! Pátria Amada, Brasil.


                         Padre  José Vicente Monteiro – assessor das Cebs – Diamantino – MT.